segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A Garota E O Garoto

O caso de hoje aconteceu dentro de um ônibus, transporte coletivo que uso para ir até à faculdade. Como ele estava parcialmente lotado ficou difícil escolher um bom lugar para sentar. Acabei me sentando na frente. Minha preferência habitual sempre é a dos bancos que só tem lugar para um; chame-me de preconceituoso se quiser, mas pelo menos dessa maneira não tenho que me sentar ao lado dos figurões que ficam ouvindo funk alto no celular, dos cracudos descontrolados, dos obesos que ficam me comprimindo contra eles e de outras figuras características que o acaso me faz o favor de que venham sempre se sentar do meu lado. Por outro lado as boazudas que sem dúvida prefiro como companhia, quando sentam do meu lado no ônibus se levantam na primeira oportunidade para outro lugar bem longe de mim e olha que eu até me comporto direitinho, diferente de certos tarados que praticamente comem as mulheres com os olhos. Para evitar incômodos e constrangimentos que diminuem ainda mais a minha autoestima, prefiro sentar-me sozinho.
Continuando a história, lá estava eu sentado na frente em um desses bancos duplos. Sentei-me no lado do banco que não era o da janela, o que me tornou um alvo fácil para eventuais esbarrões das pessoas que passavam rispidamente pela roleta. Foi aí que entrou uma garota no ônibus.
Como todos os bancos estavam ocupados ela permaneceu de pé. O que estranhei foi o fato de que ela resolveu ficar parada logo do meu lado, próximo à roleta, atrapalhando a passagem dos outros e me comprimindo com a enorme bolsa vermelha a cada vez que um passageiro entrava. Geralmente as pessoas costumam ir para o fundo ou para o meio do ônibus e não ficar paradas do lado da roleta estorvando a passagem dos outros.
Não olhei direito para a cara dela porque não costumo ficar encarando desconhecidos no meio da rua. Olhando de relance deu para reparar que ela tinha cabelos pretos, trajava o uniforme da rede pública de ensino e carregava uma enorme bolsa vermelha como eu disse anteriormente.
Não vou dizer mentiras para pagar de bom moço. Dentro de um ônibus não costumo ceder meu lugar (sou um desses sem-vergonha que fingem que estão dormindo), não seguro bolsa dos outros, não faço contribuições para ONGs ou centros de recuperação (até mesmo porque nem tenho o que doar). Não me orgulho disso, mas é assim que geralmente me comporto. Como dizia em uma tirinha do André Dahmer, “não abro mão do meu egoísmo”. Por isso, mesmo com a bolsa dela me incomodando bastante, aguentei calado o sofrimento esperando pacientemente ela descer do ônibus ou migrar para outro lugar.
Alguns pontos depois subiu um garoto no ônibus. Ele ficou por um tempo parado na porta dianteira do ônibus, ao lado do motorista. Somente depois ele resolveu passar pela roleta. Foi aí que ele disse um tímido “oi” para a garota de nossa história. Pensei logo que ele era um desses garotões querendo dar em cima de garotas inocentes com cantadas baratas, puxando conversa sem sequer conhecê-las. Só que pela resposta dela deu para perceber que eles já se conheciam. Involuntariamente acabei ouvindo os dois conversando. Não sou fofoqueiro, mas como eles resolveram falar do meu lado sua conversa acabou tornando-se parte do domínio público e objeto de inspiração para uma crônica. Algo que eles certamente nem imaginavam que aconteceria.


A conversa foi até breve e sobre assuntos banais da vida escolar. Não sou nenhum Sherlock Holmes, mas deu para perceber que ambos eram estudantes provavelmente da mesma escola. Ele mais veterano que ela e ela logo abaixo, em alguma série inferior. Meu palpite era de que ele estava no 2° ano e ela na 9ª série, que nos meus tempos de estudante era conhecida como 8ª série. Isso porque em um momento o garoto falou sobre log e completou dizendo que a garota algum dia ainda aprenderia o que é sofrer. Ouvindo isso eu não sabia direito se me sentia com saudades ou aliviado de não ter que estudar mais esse tipo de coisa.


Ela conversa tranqüilamente ao contrário dele, cujo nervosismo se observava nas repetitivas interjeições. Em um dado momento o garoto perguntou o que a garota fazia depois da aula e ela respondeu que iria para um curso (de quê eu não sei) e depois para a aula de música. A cada resposta dela, o garoto respondia com um “Caramba!”. Lembrei-me até de um certo alguém que quando a sós conversa com alguma garota descomprometida, a qual possui um tipo de interesse além da amizade, fica falando ”Nossa!” o tempo todo.
O que me chamou a atenção é que deu até mesmo para eu, que não sou nenhum estudioso do comportamento humano, perceber que o cara estava se esforçando para puxar algum assunto com ela, ou melhor dizendo, deu para perceber que ele estava afim dela. Não foi algo muito explícito de perceber, mas deu para notar que ali tinha algo. Às vezes rolava um silêncio constrangedor e era sempre ele que retomava a conversa. Por tal razão nem sei afirmar se ela estava mesmo interessada em conversar com ele ou só não queria passar a imagem de uma pessoa grossa, demonstrando ser simpática respondendo à outra. Eu nunca soube diferenciar bem a simpatia do interesse.
A moral da história é que pude perceber que mesmo o garoto, personagem anônimo da minha crônica, sendo um jovem que frequenta a academia (ao contrário do gordo e velho blogueiro que aqui escreve), não consegue ser muito diferente de mim quando o assunto é mulher. O lamentável disso tudo é que eu sou mais velho e devia parar de agir como um adolescente inseguro em certas ocasiões, faça-se entender: situações de conquista amorosa. Talvez eu nunca mude. Sei que há quem ache a timidez algo charmoso, mas tenho que parar com certas manias. Fazer-me de vítima em relação ao amor é uma delas e está na minha lista de “facetas do meu comportamento bizarro que pretendo mudar futuramente”. Travar, se enrolar todo e não dizer como se sente não são coisas que acontecem só comigo.


O que me deixou ainda mais pensativo foi ter percebido que perdi algumas coisas legais na juventude que certamente nunca mais vou poder recuperar. Tento hoje em dia, mas não é a mesma coisa: as pessoas de 20 anos de idade já estão muito complexas, vividas e desgastadas. A possibilidade de ter uma relação marcada pela inocência fica a cada dia mais difícil. O interesse mútuo predomina, mas não é o interesse pelo alguém e sim pelo o que esse alguém tem a oferecer e que possa te beneficiar. Parece até a Idade Média: unem-se para se fortalecer e obter vantagens próprias e não pelo amor. Os homens vangloriam-se de suas namoradas gostosas e as garotas da maneira que os namorados ganham a vida, só para citar um exemplo. O jeito é deixar as idealizações românticas de lado e jogar esse jogo que todo mundo joga. Ou então ficar sozinho na frente do PC escrevendo sobre um garoto, que diferente de você, ousou ter iniciativa.

sábado, 20 de agosto de 2011

O Canto Do Sabiá

Em uma extensa tarde de ócio que só essa vida de desempregado e desacreditado me permite ter resolvi relaxar ouvindo músicas no PC. Coloquei o Windows Media Player no modo de reprodução aleatória a fim de obter surpresas agradáveis dentro das mais de duas mil e quinhentas músicas que possuo armazenadas na memória de meu computador. Ou não. Afinal todos nós possuímos um conhecimento considerável daquilo que nos pertence há um longo tempo e essa verdade é válida até mesmo para algo tão imaterial quanto arquivos de mp3. Desse modo o inesperado não deveria se manifestar diante dos meus olhos, ou melhor, diante dos meus ouvidos. Só que acabei me surpreendendo com o que ouvi dessa vez.
Começou a tocar Sabiá do MPB4. Música velha. Na verdade ela é do Chico Buarque, mas a versão que tenho em mp3 é executada pelo MPB4.


O que há de surpreendente nisso? Há o fato dela ter sido executada. Mais de oitenta por cento das músicas que possuo em arquivos digitais não são cantadas por artistas nacionais e justamente por esse menor número de representantes, menor a probabilidade de uma música cantada em português ser executada. Considerando tal desvantagem, a minoria se saiu muito bem conseguindo manifestar-se e garantir o seu espaço em meio a hegemonia. Pelo menos no meu computador isso foi possível. Ainda assim há outro motivo. O real motivo que me serviu de inspiração para escrever hoje.
Sabiá me fez voltar no tempo e lembrar do passado, especificamente do ano de 2009. Recordar me fez ver que a minha situação de vida pode até ter mudado um pouco, mas mesmo assim ainda existem certas semelhanças. Nas tardes daquele ano, por exemplo, eu também ficava estacionado dentro de casa, não de vagabundagem como hoje em dia, mas estudando para o vestibular. À tarde, eu parava de estudar para ficar assistindo ao Vale A Pena Ver De Novo, bebendo café e comendo biscoito Cream Cracker com goiabada (coisas de pobre). A novela reprisada na época era Senhora do Destino. Aquela mesmo. Com a Nazaré, a vilã que além de roubar bebê em hospital, matava as pessoas empurrando-as da escada de sua sala de estar. Nem sou um assíduo telespectador de novelas, mas admito que assistia à essa, tanto na primeira exibição quanto na reprise.


Já ia me esquecendo da música. Sabiá era a música tema de Sebastião, um personagem secundário que trabalhava como motorista e que constantemente ficava dentro do carro que ganhou de herança da sua antiga patroa, por quem tinha uma espécie de amor platônico. Dentro do carro ficava relembrando momentos de seu passado de forma saudosa e melancólica. Nessas cenas sempre tocavam essa música. ”Vou voltar. Sei que ainda vou voltar.” De tanto ouvi-la durante aquele ano resolvi baixá-la e tinha me esquecido dela até há alguns dias atrás.
Naquela época quando a ouvia lembrava do meu passado recém encerrado de estudante. Uniformizado pelo menos. As boas recordações voltavam a minha cabeça e enfim percebi que na verdade sentia falta de tudo aquilo, até mesmo das coisas ruins que hoje acho cômicas. Agora no presente, quando a ouvi lembrei-me desse exato ano de 2009, um ano de transição, o menos favorito da minha até agora curta trajetória de vida. Não quero me alongar muito falando dele, mas é justo dar pelo menos uma explicação para o meu desgosto por esse ano. Nunca fui um tarado por atenção, mas ficar invisível para mais de 100 almas durante o período de um ano inteiro foi uma experiência bastante ruim, eu diria até que deprimente e disso eu não sinto falta alguma. 2009 já foi tarde e para mim é um tabu, uma fase da minha vida a ser renegado. Quem sabe algum dia eu reconsidere e mude de opinião.


A lição de toda essa história é que a memória é alterada conforme as situações as quais vivemos e isso acontece constantemente. A música me fez ver como a nossa memória pode ser maleável; a mesma música me fez lembrar ora de momentos de alegria, ora de um momento de tristeza, sentimentos bastante distintos que ocorreram em momentos distintos. Possuímos afeição por objetos, lugares, eventos e situações. Tais elementos podem se associar a lembranças, como a música Sabiá e com o passar do tempo o mesmo objeto pode evocar múltiplas lembranças, como se funcionasse como um recipiente de memórias. A música tem a facilidade de evocar facilmente uma lembrança do nosso passado; acaba se tornando tema de um momento, de uma situação da vida. Uma música hoje tem um significado para a gente; amanhã a mesma música pode ter outro significado.
Assim é a vida. Novidades surgem a cada dia que vivemos e mais elementos são acrescentados a nossa história de vida. Fica um desejo de permanência das lembranças boas e de esquecimento das lembranças ruins, mas nem sempre isso é possível. Na nossa memória há espaço para ambas.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A Influência De Um Ídolo

Essa história do encontro do Eduardo Sterblitch, vulgo César Polvilho, com o Jim Carrey foi muito bacana. Estou comentando o assunto com um certo atraso e tenho certeza que meus comentários ao longo da crônica parecerão redundantes, mas acho necessário registrar esse caso aqui no blog. Deu para notar que o cara é fã de verdade do ator que interpretou o Máskara, o Ace Ventura e outros tantos personagens icônicos do cinema e isso desde criancinha. É inimaginável crer que toda essa história de um integrante do programa cultuar um ídolo foi criada só para o programa ter uma matéria interessante para variar. O Pânico Na TV já caiu no meu conceito há muito tempo pela baixaria, pelos conflitos internos e pelas piadas de gosto duvidoso, mas dessa vez há de se tirar o chapéu para eles por tentarem fazer algo tão extraordinário como a realização de um sonho. A emoção do Eduardo Sterblitch foi real e as suas lágrimas não deixam mentir. Parabéns à produção do programa, ao pessoal do Twitter pela colaboração e ao Jim Carrey pela sua humildade em ser tão receptivo.
Acho que todo mundo se imaginou no lugar do Edu. Não necessariamente pelo fato de estar frente a frente com o Jim Carrey. Refiro-me ao fato de conhecer um ídolo, seja ele qualquer. Ídolos são pessoas de carne e osso como nós e dá até para considerar o desconforto que eles sentem quando vêem uma pessoa que eles sequer conhecem chorando de emoção. Quem mandou eles serem tão legais? O constrangimento é um pequeno preço a se pagar pela fama.


É interessante como um ídolo por ser famoso pode influenciar outras pessoas que ele sequer conhece. Uma celebridade sempre se torna modelo de sucesso para outras pessoas. Ninguém começa a fazer as coisas do nada. É assim na música, no cinema, na literatura, nas artes plásticas e em tantos outros ramos, sejam eles artísticos ou não. Você admira o trabalho de uma pessoa, absorve algumas características dela e daí começa a trilhar o seu próprio caminho. Ou seja, um ídolo, uma pessoa tão distante de nós pode ser decisiva em nossas vidas, seja influenciando nossas escolhas, nosso estilo de vida ou a nossa carreira.
Lógico que tenho meus ídolos. Em diferentes áreas aliás. Sou uma espécie de Seu Madruga: já tentei fazer um monte de coisa e não dei certo em nenhuma. Já mencionei várias vezes aqui no blog que fazia histórias em quadrinhos. Não comecei a escrevê-las do nada. Fui influenciado pelos mangakas japoneses. Tudo bem que as minhas histórias em nada se relacionavam com mangás, mas a idéia de usar a mídia quadrinho para contar uma história certamente veio da minha leitura habitual de mangás.
Depois por um longo período, fiquei com a idéia na cabeça de que queria ser comediante quando adulto, igual ao Eduardo Sterblitch, que desde criança queria fazer isso como o seu ídolo Jim Carrey. No meu caso a influência foi o  Adam Sandler. Adorava seus filmes, me identificava com seus personagens e achava legal o seu jeito de incluir os seus amigos em seus filmes (Rob Schneider que o diga).


Por isso ganhar dinheiro fazendo os outros rirem parecia uma perspectiva interessante para o futuro e além disso, notei que sentia um certo prazer em provocar risos nos outros a qualquer preço, inclusive valendo-me de piadas autodepreciativas. Como todo comediante é ator resolvi ir estudar um pouco de teatro e infelizmente pude perceber o quanto inexpressivo eu era. Na voz e no corpo. Eu não serviria para atuar nem mesmo no cinema mudo.


Não sei se sou crítico demais comigo mesmo, mas não me achava bom o bastante e não me sentia fazendo progresso em ambos os casos, tanto nos quadrinhos quanto na comédia. Alguns amigos até me elogiavam, mas em relação a elogios eu sempre desconfio da opinião de amizades. No bom sentido é claro. Bons amigos costumam dizer coisas positivas para animar você, a fim de estimular as suas habilidades. O problema é que não dá para usar a opinião de amizades como parâmetro para saber se você de fato está fazendo um trabalho interessante. Como a minha insegurança transparece no dia-a-dia, consigo até imaginar a galera contendo as suas criticas para não me deixar mal. Com a suposta falta de progresso e com a indecisão na cabeça acabei desistindo.
Aí me ocorreu essa solução de escrever, ou melhor, ser (ou tentar ser) engraçado escrevendo. Escrevendo consigo contar histórias como fazia nos quadrinhos e fazer gracinhas como em uma comédia. Isso sem ter que me dar o trabalho de aparecer. Faço com prazer e me sinto confortável fazendo-o. A mídia pode até ter mudado, mas as influências continuam as mesmas. Meus ídolos ainda são os mesmos e é isso que importa. Parabéns a você Eduardo Sterblitch pelo sucesso, por não desistir e por ter conseguido conhecer seu ídolo, sua influência, seu mentor, seu mestre.


PS: Um dos meus sonhos é conhecer o Adam Sandler. Se alguém puder me ajudar, agradeço.

domingo, 26 de junho de 2011

Sobre Paternidade

Recentemente (terceiro domingo de junho, segundo a Wikipédia) o Dia dos Pais foi celebrado nos Estados Unidos e em alguns outros países do mundo. Não aqui, pois comemoramos essa data só no mês de agosto, que por sinal, amo bastante (estou sendo irônico). Não estou querendo ser puxa-saco de gringo. Só quis aproveitar a oportunidade para escrever um pouco sobre os pais. Acho até melhor escrever agora do que esperar pelo nosso "Dia dos Pais" nacional porque minha intenção aqui hoje é mais de criticar os maus pais do que elogiar os bons pais. Os ruins são maioria. Existem muitos caras por aí que se ausentam por toda a vida dos filhos e aparecem num dia qualquer dizendo “Luke, I’m your father”, como se ausentar-se da vida dos filhos fosse a coisa mais normal do mundo. Vá entender certas pessoas... Vamos a crítica.


Vou começar pelo processo da criação da paternidade. Todo mundo aí já ouviu falar em sexo, não é mesmo? Para ser pai, no sentido biológico pelo menos, é necessário fazê-lo, a não ser que você seja um desses figurões que pagam uma nota para uma clinica que realiza inseminação artificial no óvulo de uma desconhecida "mãe de aluguel". Onde está o amor, minha gente... Para ser pai, novamente no sentido biológico do termo, caso você não seja um estuprador, você deve cortejar uma senhorita fértil em idade reprodutiva e conseguir seduzi-la, para só então levá-la para cama e fazer sexo sem camisinha com ela, bem do jeito que o pessoal do Vaticano recomenda. Se der tudo certo nove meses depois nasce um bebê e você vira papai. Caso tenha dúvidas sobre a conduta moral da sua parceira e esteja incerto sobre a sua paternidade, você sempre tem a opção de ir ao Programa do Ratinho pra fazer um teste de DNA. Aí vira uma questão de sorte, "cara ou coroa", ou melhor dizendo, de pagamento de pensão ou do uso eterno de um par de chifres de corno.


É lógico que eu simplifiquei tudo aí em cima. Nem toda gravidez é desejada, muito menos toda paternidade. Incidentes acontecem o tempo todo, que nem naquele filme bacaninha Knocked Up (Ligeiramente Grávidos). Só que não se trata de um mero “incidente”; trata-se de uma vida nova que vai nascer. A gravidez é um caminho sem volta (se desconsideramos aquela palavra que começa com ”a”). Transar e engravidar uma mulher não te torna mais homem e não te torna automaticamente apto a ser considerado como pai. É fácil ser pai em uma certidão de nascimento, difícil é ser pai pelo resto da vida daquele ser, que se tornou de sua inteira responsabilidade. Alguns não tomam essa responsabilidade para si e de imediato somem, deixando as mães sozinhas com as crianças. Outros até chegam a ficar, porém não desempenham muito bem o seu papel de pai.


O mundo está cheio de pais despreparados, o que é compreensível porque em uma era de inseguros como a nossa, não existe um curso ou manual que ensine de uma forma eficaz e abrangente como se tornar pai da noite para o dia. Isso é algo que se aprende na prática. O problema é que alguns caras nunca chegam a aprender o que é ser pai de verdade. Talvez nem compreendam direito que são pais; certas pessoas vivem demais centradas em si mesmas. O que contraria a idéia de ser um bom pai, que ao meu ver, é dar mais prioridade a vida do filho do que a sua própria.
Neste país criticamos os pobres em demasia. Sempre que vemos, e eu me incluo nesse grupo, uma família de gente pobre com vários filhos nos questionamos se não seria melhor, para a erradicação da pobreza, se os patriarcas de tais famílias parassem de “fabricar” mais crianças junto a suas esposas. Enxergar essas pessoas desse jeito é errado e preconceituoso. Esquecemos a necessidade humana de querer não estar só e de querer constituir uma família, por mais difícil que isso seja. Afinal ser pobre não significa não saber o que é viver. Imaginar que as pessoas vão passar a vida inteira esperando a estabilidade financeira chegar nas suas vidas para só então constituir família é uma utopia.


A partir do momento em que seu filho nasce você não pode escolher momentos  específicos para ser pai. Diferente dos empregos que você tem ao longo da vida, ser pai é um trabalho em tempo integral. Tem gente que se considera o máximo como pai porque constantemente está fornecendo bens materiais e intelectuais aos filhos. Outros fazem isso apenas esporadicamente. Não importa. Isso não é o suficiente. O pior de tudo é que além de se vangloriarem, jogam na cara dos filhos despesas que eles geram, como se fossem culpa deles. Sei que a frase é velha mas é verdadeira: ninguém pediu para nascer. Não estou de acordo com os mimos, mas se você colocou uma pessoa no mundo você deve proporcionar a ela a melhor vida que puder. Ao filho cabe o agradecimento e futuramente a sustentação daquele que o criou.
Tenho consciência de que fui um tanto quanto pessimista nesse texto. Qual seria a razão? Se vocês pensarem direitinho não fica difícil de imaginar. Para ajudá-los a compreender melhor essa minha derradeira pergunta retórica, encerrarei a pauta dizendo que caso algum dia no futuro eu encontre uma louca que aceite ter um filho meu e eu for pai, pelo menos terei as minhas singelas noções do que não devo fazer. Pois o que devo fazer, que atitudes devo tomar dali por diante... Não sei mesmo. Na pior das hipóteses, se eu fracassar como pai, o moleque pode escrever no futuro algo ruim a meu respeito em algum desses blogs presunçosos e egocêntricos que existem na internet. Sem ressentimentos.

PS: Até hoje, pelo que sei, não engravidei ninguém.
PS2: Só volto a escrever em agosto porque blogueiro vagabundo também tira férias. Abraços!

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Dois Meses De Facebook

Na verdade, esse título aí de cima é mentiroso. Explico. Possuo uma conta no Facebook desde meados de 2010. Afirmar possuir algo é bem diferente de afirmar utilizar tal coisa. O que estou tentando dizer é que eu tinha uma conta no Facebook, mas não a utilizava. Criei uma só por fanfarronice mesmo, só para dizer que tinha uma. Afinal de contas eu já possuía uma conta no Orkut, para que diabos então iria usar outra rede social para me comunicar com os meus conhecidos?
Não, não comecei a utilizar “de verdade” o Facebook por influência do filme sobre o Zuckerberg. Nem assisti esse filme ainda. Comecei a utilizar tal rede social, há mais ou menos dois meses atrás, só para entrar em contato com uma pessoa específica, a qual não conseguia falar no Orkut. Pensei em duas possibilidades: ou ela estava me dando gelo ou simplesmente não estava lendo minhas mensagens. Preferi acreditar na segunda possibilidade e estava certo. Tal pessoa, agora só utilizava o Facebook para se comunicar com amigos e se tornara um mero fantasma do Orkut, assim como muitos outros amigos meus. O Orkut ainda possui muitos usuários, só que eles estão se tornando cada vez mais inativos. Muitos migraram para o Facebook então decidi fazer o mesmo.


Depois desse pontapé inicial, aproveitei para adcionar a galera toda que esteve e ainda está ao meu lado o tempo todo ao longo da vida. Surpreendi-me quando terminei de adcioná-los porque no final do processo, pude contabilizar mais de trezentas pessoas. É impressionante como não nos damos conta de quantas pessoas conhecemos. É óbvio que eu não sou "amigão" de todo mundo, mas ao menos os conheço, de papo ou de vista. O bacana foi que eu consegui saber por onde andavam velhos camaradas e deu para matar a saudade de uns e de outros nem tanto. Brincadeirinha...
Porque que eu estou contando isso tudo? Mesmo o blog sendo meu e contando casos sobre a minha vida, às vezes acho tudo o que escrevo um tanto quanto irrelevante. Nem eu sei bem o motivo, talvez seja mesmo irrelevante. Ou não. Acho que procuro muito usar a técnica da indução pra cativar os meus leitores imaginários. Narro as minhas particularidades e espero que a partir delas, o leitor as associe para algo mais geral, como as suas vidas e as vidas dos outros, assim como ocorre no método do pensamento indutivo. Não faço idéia se isso funciona, mas estamos tentando. Continuemos...
O curioso dessa parte de adcionar pessoas em redes sociais é imaginar a atividade contrária, ou seja, quantas pessoas adcionaram você. O número de pessoas conhecidas que me adcionaram, se não me engano não chegou a uma dúzia. Tudo culpa de vinte anos de introversão. As pessoas não te odeiam, mas também não chegam a te amar tanto assim para se dar o trabalho de colocar o seu nome em uma busca de rede social. Se bem que duvido que saibam meu nome completo. E convenhamos: nem uso meu nome verdadeiro no Facebook, para evitar ser achado por recrutadores fuxiqueiros.


Agora vamos as partes ruins que já consegui sacar nesses dois meses de Facebook. Certas pessoas estão sempre ocupadas demais pra falar com você. Falam que já voltam e não voltam nunca. Assim sendo, um simples diálogo pode acabar tornando-se uma Odisséia. Acredito, sinceramente, que nem seja por maldade. No meu entender a questão é a prioridade; você dá mais atenção a pessoas com quem tem um laço de amizade mais forte ou uma aproximação maior. Não nos damos conta que um sentimento que temos por uma pessoa pode ser um pouco unilateral, isto é, quando você valoriza muito a amizade de uma pessoa, quando na verdade pra ela você é apenas mais uma dentre muitas.
Outra coisa que consigo destacar negativamente são as informações recebidas. Informações demais. Tem certas coisas que eu preferia nem ficar sabendo. Não me levem a mal, tenho amigos que até postam coisas interessantes. Mas, por exemplo, saber pelo Facebook que uma pessoa que você esteve ou que está interessado se encontra em um relacionamento sério, acaba sendo meio impactante. Principalmente olhar as evidências disto: as fotos do casal e as mensagens melosas entre os dois. Lógico que as pessoas seguem as suas vidas, mas não nego que me sinto frustrado em certos casos. A solução seria fazer o mesmo, mas havemos de combinar que nem sempre isso é possível. Razões? Tenho várias, mas não quero me humilhar publicamente hoje.
E ainda tem as fotos de viagens, festas etc. Nem sei se é inveja, mas uma coisa eu tenho que dizer. Um dos piores castigos que se pode dar para uma pessoa infeliz é escancarar felicidade nua e crua na cara dela. Isso deixa a pessoa pior ainda, principalmente para quem não vive, não por opção sua, mas por causalidade. Você se imagina naquele lugar, mas sabe que pelo menos por enquanto, não pode estar ali, experimentando certas delícias da sua juventude. As pessoas com quem você conviveu por ano seguem suas vidas, obtêm sucesso e privilégios e você continua sendo o mesmo plebeu sequelado de sempre. Tem certas horas que enxergar a si mesmo dessa maneira perde a graça. O jeito é evitar o máximo que puder as comparações e seguir adiante, em busca de um futuro melhor para si mesmo.
É curioso também como pessoas que eu julgava tão diferente de mim no passado, aparentemente pelo menos, possuem mais gostos similares aos meus do que alguns de meus amigos mais próximos. Talvez se eu reencontrasse certas figuras do meu passado poderíamos até trocar algumas idéias. Pensando bem, não acredito que isso aconteça...
Esse texto acabou sendo mais descritivo do que qualquer outra coisa então eu nem tenho uma conclusão inteligente ou coerente para fazer nesse último parágrafo. Só tenho um recado, para a pessoa que me levou a utilizar o Facebook. Eu agindo ativamente em relação a um ser humano é um acontecimento raro. Eu diria que isso é equivalente a passagem do cometa Halley. Não sou a pessoa mais sensível do mundo, mas até eu acho que isso deve significar alguma coisa. Caso esteja lendo esse texto (o que duvido muito) e perceba que é você, fique tranquila porque não pretendo lhe dizer nada constrangedor. Só desejo lhe agradecer devidamente enquanto ainda há tempo para isso. Ao vivo e a cores de preferência, longe da falsa ilusão de proximidade que as redes sociais proporcionam. Um abraço e espero que até breve.