quinta-feira, 10 de junho de 2010

Aulas De Artes

Tal qual o texto sobre Filosofia que escrevi em outra ocasião, esse daqui também tem o intuito de ridicularizar uma disciplina que não gosto muito. Por isso a pessoalidade exarcebada nas minhas idéias. Lógico que é um contrasenso falar em pessoalidade; tudo aqui no meu blog é opinião pessoal minha, para ser desconsiderado mesmo. Então para os apreciadores e afiliados em questão já peço desculpas adiantado. São idéias baseadas em puro senso comum, sem estudo detalhado e bibliografia confiável, incoerentes, absurdas e sem fundamento de um imbecil. Reitero, desconsidere o que ler aqui, ou se preferir nem leia. Não vou me magoar.
Nunca gostei de assistir à aulas de artes. Ênfase aqui em aulas. Curto a arte e a aprecio bastante, principalmente as obras dadaístas e de pop-art. Só não considero algo sensato ensinar isso ou qualquer coisa relativa e transformar isso em uma aula séria. Para mim arte é algo que serve apenas como distração e apreciação, para não ser levado a sério. Mesmo quando é colocada à sério não gera quaisquer resultados práticos. Acho até ridículo quem se põe a fazer isso. Os pintores expressam seu descontentamento com a realidade, mas isso nunca dá em nada. Estou mentindo? Alguma obra mudou o curso da história da humanidade, impediu uma guerra ou algo do tipo?
Outro dia fiquei puto numa aula de artes da faculdade pensando “Sai cedo de casa e gastei dinheiro com passagem de ônibus para assistir isso?”. A aula em questão não me ensinou nada. Só foram passados alguns vídeos ridículos cheios de ruídos irritantes. Muito tosco e lamentável de se assistir. Pensei até em me vingar descendo o nível; me filmar cagando, entregar como trabalho final e dizer que é arte moderna.
Um capítulo especial de meu ódio à aulas de artes está relacionado às minhas experiências com as professoras ao longo dos anos. Só tive professoras de artes do sexo feminino mesmo, pelo que sei pelo menos. Não sei porque, mas nunca fui com a cara de nenhuma professora de artes. Toda vez que vejo uma, a vontade que me dá é de dizer para elas procurarem algum emprego de verdade (embora eu seja um desempregado há anos). Algumas nem artistas são, só ficam vendo as obras dos outros e pagando de gostosa na frente da gente. Sem contar a postura. Sempre demonstrando toda uma pose, uma envergadura, uma certa arrogância como se soubessem de tudo. Grande merda! Quando na verdade sabemos que a arte por mais bela que seja é completamente inútil. Tal qual toda uma categoria.
Na oitava série, pela primeira vez na minha vida uma professora me intimidou perante a classe. Ensinava artes, claro. Me ridicularizou na frente da turma toda e eu me encolhi como um bom covarde sem dizer nada. Como diria o Veríssimo ”alguma eu devo ter aprontado”, posso ter pensado alto e dito uma besteira, ter um acesso de risos rápidos em má hora ou fiz cara de sonso (culpado, estou o tempo todo com essa mesma expressão de besta). Mas a bronca em si foi feita porque me recusei a dar minha opinião na aula dela. Esse é um país livre, tenho esse direito não? Na época eu não sabia me defender direito de ataques verbais, fiquei nervoso e sem reação, foi golpe baixo. Chutar cachorro morto. Enfim talvez esse último e pequeno relato tenha servido para justificar melhor meu desprezo por arte e influenciado todo o enfoque negativo que dou a essa disciplina até hoje. Sou recalcado pra caralho!

Herói Da Vida Real

Existem aqueles dias em que você pensa que foi um perfeito herói. Não me refiro à um daqueles de histórias em quadrinhos ou dos cinemas, repletos de poderes especiais fodônicos. Me refiro às ações mais cotidianas; o agir certo até mesmo em momentos inesperados. Ser útil, valoroso e solidário para as pessoas ao seu redor. Algo que gera o respeito dos outros e dá um certo respeito a si mesmo. Orgulho. Salvar o dia. O suficiente pare se sentir uma pessoa satisfeita e realizada. Será mesmo?
Honestamente, eu digo que tenho lá os meus poucos momentos de heroísmo. Ações bem babacas que qualquer um com juízo, julgaria sem importância alguma. Como ser o único de um grupo a lembrar de fazer uma maquete para algum trabalho escolar e não fazer as cinco pessoas envolvidas zerarem, aparecendo com ela prontinha na última hora. Mas por menor que ações, como essa, tenham sido, elas foram capazes de originar em mim, um sentimento de nobreza de caráter enorme e inéxplicável. É o que acontece quando você é um canalha o tempo todo, qualquer merdinha que você faz de bom te faz sentir o máximo. Lamentável, eu sei. Porém, o ato de fazer a diferença em um momento qualquer continua tendo o seu valor e a ser uma atitude louvável.
Daí, em seguida num dia desses, tem o caminho de volta para casa e você se vê pensando diante de alguns elementos básicos ao seu redor. As mãos nos bolsos vazios da calça comprida, uma noite fria, escura e desoladora e só aquela lua, grande e brilhante no céu como companhia de consolo, não ganhando nada de concreto em troca, como um mísero abraço sincero. A conclusão que se tem num dia desses para mim acaba sendo meio pessimista e gera alguns questionamentos de revolta. Que porra é essa? Cadê minha recompensa cacete? Isso é justo? Perguntas feitas ao vento, que retornam sem resposta alguma e que expressam o desejo de algo mais de um herói atípico. Com certeza as coisas podiam ser melhores.



Esforçar-se, dar o máximo de si, para ser lembrado por algo bom que você fez nessa existência mundana, pra deixar de ser alguém medíocre, mesmo que momentaneamente. Isso enquanto um Zé Boceta qualquer, egoísta e mau caráter (juízo de valor feito por contastações diárias) está acompanhado de uma bela garota. E você, numa daquelas noites que eu descrevi acima no parágrafo anterior, observa eles caminharem felizes, lado a lado, até sumirem bem ao longe. Dá uma baita inveja para dizer a verdade. Principalmente se ela for a garota que você ama e observou o dia todo...
Voltando a seriedade; lógico que agir como um herói não é nada disso. Não fazemos boas ações só com intenção na recompensa, prêmios e glórias. Você faz o que sente que é certo e deve fazer. Isso é recompensador. Mas que fica um gostinho de quero mais, fica com certeza. A esperança é o reconhecimento por algo bom realizado; se não dos outros pelo menos de si mesmo.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Misantropia

Outro dia uma conhecida me chamou de anti-social. Já perdi a conta das vezes que uma pessoa me diz isso. Eu, como sou chato e curioso pra caralho, resolvi procurar o significado desse termo na Internet e descobri, que ser anti-social é agir de forma contrária à sociedade, tipo roubar e matar os semelhantes. Atos, aí sim, anti-sociais que eu não faço. Não por consideração pelos outros, só não quero ir pra cadeia...
Não tento me enganar sobre isso. Sou até honesto demais com meus defeitos e acho que até exagero às vezes nas minhas autodepreciações adjetivadas. Sei que tenho problemas de comportamento perante os outros assim, prossegui em busca de um termo para me definir. Sem piadas, por favor. Não é a definição de conteúdo sexual que você está pensando...
Com minha incrível habilidade de colocar as palavras-chave corretas para realizar pesquisas, em um site de busca, encontrei o termo misantropia, que eu até já tinha ouvido falar anteriormente, mas desconhecia completamente o seu significado.
Grande Wikipédia, onde podemos encontrar um monte de informações; confiáveis ou não, fica impossível de se saber. Por lá, nesse mesmo dia descobri que sofro de um monte de patologia psiquiátrica; esquizofrenia, transtorno bipolar, dupla personalidade, transtorno obsessivo compulsivo, estresse, pânico, depressão, sou stalker amoroso obssessivo, dentre outras. Se bem que isso pode ser hipocondria de minha parte. Ops, quase me esqueci que hipocondria também é uma doença para se somar á lista. Estou fudido mentalmente. Nem precisava de uma pesquisa para averiguar isso. Minhas atitudes já dizem isso claramente. Quem mandou ser curioso...
Como sempre me desviei do assunto título de novo, perdão. Continuando, nas palavras da enciclopédia livre, li que o misantropo ”É uma pessoa que tem aversão ao convívio social, adora viver em isolamento. Aquele que não mostra preocupação em se dar com as outras pessoas, de ter uma vida social preenchida - tendência a ter uma pouca ou praticamente inexistente vida social. Estado de reclusão que alguns indivíduos escolhem para viver”. Quem me conhece sabe que a definição bate igual a minha conduta. Só faltava colocar meu nome como sinônimo e quem sabe até uma foto no verbete.




Engraçado é como eu consigo ser incoerente em tudo que faço, não ocorrendo diferente nesse caso. Como um misantropo como eu, possui Orkut, por exemplo? Pasmem, o Orkut é uma rede virtual social! Porque um misantropo, que odeia todo mundo, quer manter contatos permanentes com pessoas da vida real numa rede social? Essa, é uma pergunta bastante inteligente e com certeza pode acreditar que não fui eu quem a formulou. Li ela na comunidade de misantropos do Orkut, foi o seguinte; alguém de fora, do nada entrou lá e perguntou isso e todo mundo ficou sem ação, perplexo, sem ter o que dizer. Talvez não sejamos misantropos, nos encontremos em outra categoria de excêntricos marginais da sociedade. Uma ótima deixa para eu realizar uma nova pesquisa conceitual e encontrar, enfim um termo correto para me definir. Se eu tiver sucesso e encontrar o termo, relato num dia qualquer.

Elite

Engraçado como tentam impregnar certos pensamentos nas nossas cabeças desde cedo e nem nos damos conta disso. Crianças crescem ouvindo os adultos próximos a elas, por exemplo, dizerem que todas as pessoas são iguais. Uma idéia até que bonitinha e inofensiva. Mas mentirosa pra cacete. Contraditória e muito nada a ver com a realidade em que vivemos.
Conheço caras da minha idade (19), que já tem o próprio carro. Eu não tenho grana para comprar um skate; no momento minha carteira não me permite comprar nem mesmo uma mísera e solitária bala de hortelã. Discurso de igualdade uma ova!
Não pense que minha missão nesse blog, é a de descer o pau e falar mal exclusivamente da classe média. Lógico que odeio eles. Pra falar a verdade, sou democrático e odeio todo mundo; na minha vida convivi em tudo que é tipo de ambiente social da cidade maravilhosa e encontrei laranja podre como diria o Paulo Ramos (é o 12!), em todos esses lugares. Não sou esquerdista e nem de direita, vivo em cima do muro achincalhando todo mundo. Odeio pobres, odeio ricos, odeio playssons, odeio patricinhas e odeio os comunistas suburbanos fãs de Legião Urbana também. Tenho as minhas restrições ao ódio em eventuais associações que me fazem mudar de idéia. Não me leve a mal, não é nada pessoal, é só que estou sempre esperando o pior do próximo. Adoro quando me engano e conheço gente bacana. Só que como o assunto de hoje especificamente está muito associado à classe média vai sobrar pra eles. Cada um na sua hora... Aguardem.
Após as devidas justificativas necessárias voltemos ao assunto. Elite. Algo que já pressupõe desigualdade. Sinônimo de “os fodões”. Pra elite existir, há a necessidade também de existirem os não tão bem abençoados. Indignei-me, outro dia, quando ouvi na faculdade um professor falar a frase ”Vocês são a elite intelectual desse país.” Mais uma vez, não falei porra nenhuma por covardia e resolvi registrar por aqui mesmo o ocorrido. Tem certas coisas que acontecem e parece que só eu percebo, coisa de gente paranóica, estar sempre alerta. Logo na faculdade o cara se põe a premiar a desigualdade e vangloriar-se de ser elite? Mostrar contentamento com a desigualdade. Isso não está certo.
No tratamento com as pessoas realmente, devemos agir como se fossemos iguais, como deveria ser. O ato de igualar-se ao semelhante seja quem for, principalmente se ele for mais humilde é belo. Uma atitude corretísssima. Ninguém aguenta essas madames de nariz em pé e suas filhinhas queridas fazendo cu doce; acabam sempre nos esnobando. Se quiser um conselho grátis aí vai um: numa situação dessas, tome vergonha na cara, fala que vai ao banheiro cagar, vira as costas e sai fora. Pra que dar atenção a quem não merece. Tenha fé. Valorize somente a quem lhe dá atenção.
Não uso óculos escuros o dia todo, não simulo austeridade, não tento impressionar ninguém com meus conhecimentos, não tenho carrão, não vou todo fim de semana a uma festa, não me vanglorio por estar cursando o ensino superior, não fumo maconha para parecer descolado, não viajo de avião, não uso perfume importado, nem roupa de marca, não transformo a rua numa passarela; não me exibo. Sou um bobalhão, bruto, estúpido, mal articulado, mal vestido, ando de cabeça baixa e não pertenço à porra de panelinha nenhuma. Um puta cara incompreendido e desajustado. Mas pelo menos tenho bom caráter, me orgulho muito disso, estou bastante satisfeito assim do jeito que sou e isso me é suficiente. Um perdedor orgulhoso de peito aberto, deselitizado e sem classe alguma.

PS: Escrevi “odeio” neste texto sete vezes e a palavra “não” vinte vezes. Se eu errei na conta, por favor, me corrija. Quanta negatividade! E mais: Pesquisando, sem querer descobri que "Elite" é o nome de um jogo de videogame, nem sei de que gênero, cujo logo é estiloso pra cacete. Essa informação não tem nada de relevante para o tema do post, mas aposto que você, pessoa elitizada que se vangloria pela sua inteligência, já deve ter percebido isto...

Você Valoriza A Si Mesmo?

Outro dia eu estava assistindo a TNT, o canal a cabo. Como de costume, estava passavando mais um daqueles comerciais intermináveis entre os filmes. Tem gente que não gosta, mas eu até me amarro em alguns deles. Tem coisas que valem a pena serem assistidas, como aconteceu nesse dia. Não as propagandas; me refiro às curiosidades que passavam sobre as produções hollywoodianas. Eu explico.
Passou uma daquelas entrevistas que fazem em lançamentos de filmes do cinema; dessa fez foi com Jay Baruchel, um ator de uma comédia romântica(que é a cara de um colega meu da faculdade), que vai estrear em breve. As pessoas subestimam os comediantes, taxando eles de bobalhões, mas pra se fazer rir, você tem que ser uma pessoa esperta e criativa. Um conhecimento amplo de mundo acompanhado de muito sendo crítico. O cara fez um comentário muito inteligente sobre o conteúdo desse gênero de filme.



Disse que geralmente nas comédias, o protagonista masculino sempre segue um estereótipo: é um fracassado,um idiota, um "loser" bobão qualquer que se apaixona pela garota mais linda popular, fodalhona do pedaço. E para conquistar ela, ele tem que passar por vários desafios, se superar para ser o bambambam da sua turma no final da história e beijar a garota antes dos créditos. Não importa que o personagem seja músico, dançarino atleta, estudante etc. Os estúdios sempre seguem esse mesmo roteiro e linha de raciocínio, com poucas variações.



Jay Baruchel prosseguiu com seu discurso e me brindou com a frase “Jamais devemos encontrar o nosso valor em outras pessoas”. Uma ótima lição que seu filme, que pessoalmente ainda nem vi e sequer sei o nome, pretende mostrar. A trama aliás, é a seguinte: um cara normal que trabalha no aeroporto, interpretado por ele, consegue com que uma garota linda e maravilhosa, que conhece se apaixone por ele. Tudo isso agindo sem extremismos, bastando ser ele mesmo e dando carinho e atenção pra moça. Isso, admito é algo difícil de crer que ocorra, porém mesmmo assim consegue ser mais verídico de se concretizar na realidade, do que certos absurdos que acontecem em comédias românticas. A típica história do “muita areia pra um caminhãozinho”, que eu, aliás, por onde ando, tenho observado bastante. Vejo cada sujeito horroroso com uma gata do lado e eu aqui(nem bonito, nem feio) sozinho. Dá uma inveja da porra, mas reacende a minha esperança. Se eles conseguem porque eu não posso ter essa sorte?
Aplaudo a iniciativa de se realizar um projeto desses, que traz essas boas sensações à tolos ainda esperançosos. Nem todo mundo é ultratalentoso. Porém o mais importante é amar a si mesmo antes de amar outra pessoa. Odeio o realismo simplista, mas tenho que admiti-lo: por mais triste que pareça, a única garantia de uma presença eternamente ao nosso lado, é a de nós mesmos. Lógico que é bom ter alguém do seu lado; ser amado gera segurança e conforto e isso é muito satisfatório e realizador. Mas é perigoso se tornar refém disso; contos de fada não existem, tampouco o felizes para sempre. A solução é aproveitar o momento, curtir enquanto durar e se o romance terminar, que resida ainda o amor próprio, capaz de dar forças para um reínicio desse nobre e belo sentimento.