segunda-feira, 14 de março de 2011

Redação “As Minhas Férias”

Geralmente no primeiro dia de aula das séries iniciais do ensino fundamental, após aquele clássico momento inicial de apresentação individual de professor e alunos, é solicitado aos bronzeados estudantes escreverem uma redação sobre suas férias de verão. Se não me falha a memória já passei por esta mesma situação umas três vezes na vida. Então aparentemente vocês irão ter o privilégio (ou seria desprivilégio?) de ler mais uma redação minha sobre este tema, só que enfim com a liberdade desejada, de tamanho de texto e conteúdo. Afinal de contas, na escola temos restrições até mesmo sobre nossos próprios textos. Vocês sabem muito bem que isso é verdade.


Costumo dizer (não só eu, aliás) que o ano começa de verdade depois do carnaval, em meados do mês de março. É exatamente o período em que nos encontramos. Inúmeras redações do tipo “minhas férias” estão sendo feitas no país e em comum elas possuem o poder de selar definitivamente as férias. Sepultam elas, tornando-as meramente lembranças do passado. Como não sou mais um garoto do ensino fundamental há anos, o meu perfil de férias mudou. Como sou adulto devia estar de férias de emprego (se tivesse um), mas só estive de férias da faculdade e do blog. Tecnicamente, o Pharaoh estava de férias e o Christian não. Afinal ser Christian é uma atividade em tempo integral, exige vinte e quatro horas de dedicação. Se ele tirar férias elas serão para sempre. Apesar dos infortúnios de sua vida ele não deseja que isso ocorra tão cedo, se é que vocês estão me entendendo...


O problema inicial para mim nesse tipo de texto é encontrar assunto pra escrever. Quando me refiro a “tipo de texto” entenda como sinônimo “texto sobre alguma ação” na minha vida. Até que eu gostava de escrever redações nas aulas, diferente até de muitos colegas que ficavam empacados por mais de uma hora na primeira linha. O problema eram as redações pessoais. Afinal de contas fui e continuo sendo um sedentário assumido. Nunca faço nada e até por isso, nada me acontece, seja de bom ou ruim. Expor as minhas atividades sedentárias em uma redação para um desconhecido é um pouco constrangedor. Além do mais, se não deu para perceber nos posts anteriores sou meio paranóico. Morro de medo de ir a algum consultório psiquiátrico porque não confio na relação de sigilo absoluto entre médico e paciente, guardar segredos, essas coisas. Na minha imaginação, penso que depois do expediente o analista, cercado de amigos em uma mesa de bar regada a álcool, fica expondo a vida pessoal dos pacientes e fazendo chacota sobre eles. É assustador pensar isso porque é bem possível de acontecer. Com os professores é semelhante. A gente nunca sabe onde irão parar os nossos textos. A simples redação sobre as férias de um ingênuo aluno pode acabar se tornando um espetáculo à parte de humor em uma sala de professores, parentes, reuniões de pais e mestres ou sabe-se lá onde. Portanto, tome bastante cuidado com o que você escreve. Não costumo dar maus exemplos para os outros (apesar de praticá-los), mas se julgar necessário, minta. Invente algo bem leve para não se meter em encrencas.


Hoje isso é um pouco diferente. Sou um livro aberto. Como já sou legalmente adulto e não devo nada a ninguém vou escrever as minhas férias reais, do jeito que elas foram. Já passei da época de me importar com o que pensam ao ponto de me auto-silenciar. Ainda mais, cabe dizer que meu blog é lido por fantasmas e por isso mesmo, de qualquer forma, não haveria qualquer tipo de repercussão no meu círculo de vida pessoal; nem sequer possuo algo escandoloso na minha memória para narrar porque minha vida foi e continua sendo tediosa. Bom, na verdade apenas farei um breve resumo do que foi o meu recesso. A síntese bruta por assim dizer. Nem Chuck Norris teria tempo e paciência de escrever detalhadamente três meses em um singelo post de blog.


Acho que nem vou precisar de quinze a vinte linhas para descrever minhas férias. Um parágrafo basta. Entrevistas de emprego e estágio. Recusa de empregos e estágios. Dinheiro de passagens de ônibus desperdiçado. Encontros marcados e desmarcados no dia de encontro. Ganho e perda de uma grande amizade recém adquirida. Mês de janeiro inteiro sem poder mastigar por conta de um inchaço no dente. Dinheiro ganho no Natal gasto no tratamento do tal dente. Bolsos vazios permanentemente e dias e dias de férias em casa, suando feito um porco por conta do calor intenso, comendo porcarias e jogando novamente videogames que já zerei há tempos. Basicamente essas foram minhas férias. Gostaram?
Ou seja: tudo continua como sempre... Mesmos dilemas, mesmos problemas. Bem vindos de volta ao Crônicas Faraônicas e espero que tenhamos um ótimo ano. Vamos apostar no futuro e que muitas coisas boas aconteçam a todos nós. Riam de mim. Riam comigo. Riam sempre porque a vida é dura. Só não enlouqueçam e nem me deixem enlouquecer como o Coringa. Abraços e beijos.


PS: Gostaram do visual novo do blog? As areias azuis ficaram bem legais...
PS2: Falei que voltava em março. Sou um menino de palavra...