quinta-feira, 27 de maio de 2010

Capitão Virginiano

Acho cômico e até ridículo como a nossa sociedade, quando trata em discutir assuntos relacionados a mercado de trabalho sempre tenta impor o seu ideal, seu padrão de identidade que um profissional precisa ter. Algo que no nosso íntimo e pessoal não é compatível com nossa personalidade. E ainda se dizem defensores das diferenças. Balela! Todos sabemos que o mercado privilegia a razão e objetividade, não a emoção e especificidade de cada um. Têm-se os defeitos e as qualidades, mas eles parecem cegos em relação a isso. Eles querem sempre um modelo a ser seguido, recheado de qualidades indispensáveis, o que é uma atitude bastante injusta.
A idéia de ser sempre um líder nos nossos setores de atuação é um ótimo exemplo. Ser o melhor, versátil, articulado, dinâmico. Nunca entendi direito esse negócio de ser dinâmico. O que eles querem? Um cara que nem o Jackie Chan? Com todas aquelas peripécias de artes marciais que ele possui, certamente se encaixaria bem no perfil...
Cada um tem a sua própria personalidade, seu jeito, sua maneira de ser, agir e comportar-se diante de um mundo caótico como o nosso. Um mecanismo de defesa para se lidar com isso tudo é a timidez, a introversão. Eu me encaixo bem nesse caso. Reservado até demais. O Blog pode até passar uma impressão errada. Eu não sou assim no dia-a-dia, não falo tanta merda na cara dura para qualquer um que aparecer. Nem mesmo chego a ser tão engraçado, como algumas vezes aqui consigo. Penso e somente penso as besteiras que aqui posto. Não há diálogo. Um degenerado que mal expressa sua opinião oralmente. Não tenho forças pra ação propriamente dita e nem para eloqüência. Sinto-me paranóico em relação ao público e sempre procuro evitar ser observado e avaliado. Coisas da insegurança. Não gosto de todos os olhos em cima de mim. Parece até que mijei nas calças ou algo do tipo. Prefiro trabalhar no silêncio, de forma reservada. Definitivamente, essa é a minha praia.
Assim sendo, como deu pra perceber, me por numa liderança é uma atitude antilógica que só poderia resultar em mal resultado. Merda anunciada. E isso sempre aconteceu. Vou explicar o porquê. Não possuo o menor resquício de autoridade em minha alma. Não sei e nem consigo dar ordens a ninguém. Valho-me de pedidos, feitos uma única e exclusiva vez de voz e cabeça baixa. Se um único fulano não ouve, fudeu tudo e todo mundo envolvido se prejudica. Tudo isso, porque o encarregado de dar ordens, vale-se da confiança e não da autoridade para atingir seus objetivos. Isso é errado? Algo pra ser corrigido? Sou o único a agir assim? Aposto que não, para todas as perguntas. Envergonho-me de muitos traços da minha problemática personalidade, mas disso não. Me chame de egoísta; pense o que quiser. Só sei que não quero ser representante de porra nenhuma.
Continuarei agindo do jeito que sou, porque a teimosia também é algo que reside em mim. Num mundo repleto de insegurança, que privilegia roteiros, rotinas, modelos e manuais para tudo, isso acaba sendo uma atitude bastante anárquica de minha parte, que sempre me trará a incompreensão desses malditos conservadores. Só sei que nunca irei me render, comprando manual de auto-ajuda, dizendo que não sou bom o bastante e tentando corrigir os meus atos. Me recuso.



PS: Não acredito em horoscópo. Pensando bem... Só um pouquinho!

Manhãs De Domingo*

Durante toda a minha vida nos domingos eu ia pra igreja de manhã; tendo família católica meio que tinha obrigação de ir. Nunca gostei muito e quando me dei conta, de um dia para o outro, deixei de ir definitivamente. Mas não me rendi ao ateísmo juvenil, se é o que está pensando.
Com esse horário vago no fim de semana, resolvi preencher com outra atividade algo mais físico. Não odeio meus familiares, mas ficar um dia inteiro com todos eles é complicado, insuportável. Todo mundo precisa de um tempo e um espaço para arejar a sua cabeça e organizar as idéias. Coisa que meu casebre não permite por ser pequeno. Nem tenho meu quarto e a sala mal tem cadeiras pra todo mundo. Então vou para rua mesmo.
Essa foi a solução. Não ir pra rua morar nela, só andar um pouco até as pernas cansarem e a garganta pedir água. E depois voltar pra casa na hora do almoço comer e ver um futebol, quando tem jogo do Milan melhor ainda. A diversão de ser um andarilho a esmo sem destino e sem caminho definido não tem preço. Que romantismo. Tal qual um autêntico vagabundo moderno.
È maravilhoso fazer isso, particularmente nas manhãs de domingo. Você consegue dar umas escarradas de catarro verde e grosso no asfalto, peidar, arrotar, coçar o saco; tudo isso sem receber nenhum olhar de censura de um desconhecido. Você divaga, esquece que está vivo e pensa em um monte de merda; no último domingo eu me peguei imaginado se meu cuspe ia evaporar e virar chuva, quantos quilos de maconha o Gamabunta, aquele sapão de 20 metros do Naruto, carrega no cachimbo, esse tipo de coisa... Que autismo!



Bom mesmo é que não tem ninguém na rua para te olhar torto. Isso porque nos dias de semana normais, meu olhar de maluco desfocalizado assusta as pessoas. A vontade que me dá é de aplicar um drop-kick nos desgraçados. Nos domingos, isso pouco acontece, razão de minha felicidade nesse dia. Lógico que há algumas poucas pessoas, geralmente famílias passeando na rua, e aí eu faço até o favor de atravessar a pista pra não assustar as crianças. Enfim, só assim, tenho um pouco de paz e me torno o dono, o mister supremo do asfalto.

PS: Qualquer referência a música Sunday Morning do Maroon 5 é mera coincidência.

O Saci

Histórias misteriosas são sempre muito interessantes. Ao instigar a nossa imaginação com o obscuro e o mistério conseguem atingir grande popularidade e interesse, pelo menos pra quem ouve a história. Nunca saem de moda. Talvez pelo fato de que a curiosidade, não seja algo particular e sim geral. Todo mundo já se sentiu intrigado sobre algo desconhecido. Ou no mínimo curiosidade com algo que não consegue explicar. Como o maldito Saci-Pererê, figura do folclore nacional que sempre me persegue e vive me pregando peça.



Lá nos anos noventa, quando eu era sub-10, viajamos a Minas Gerais para visitar uns parentes do meu avô. No meio do mato, enquanto passávamos de caro juro que vi o Saci. Se bem que o nome, não tenho certeza, fica a seu critério denominar o que vou descrever. Um negro alto, perneta e de carapuça vermelha na cabeça. Pelo meu conhecimento em folclore brasileiro a descrição bate com a de um saci.
E não termina aí minha história com esse ser travesso. Nunca o vi mais, porém muita coisa inexplicável me acontece. Meus objetos pessoais vivem sumindo misteriosamente e aparecendo em outros lugares. Meu fichário, por exemplo, de ontem pra hoje evaporou e eu nem tirei ele da mochila. Talvez o maldito tenha se dado ao trabalho de me perseguir de Minas até aqui. Outro dia ainda viu no meio da rua um redemoinho solitário rodopiando; o detalhe é que era um dia ensolarado e sem vento algum. Esse desgraçado vive me irritando e me desconcentrando com as suas malditas brincadeiras. Para quê ele se dá o trabalho é que eu não entendo. Minha vida já é um inferno...

sábado, 22 de maio de 2010

Procura-se...

Esse texto foi escrito numa noite solitária de sexta-feira, por isso está bastante idealizado, porém muito sincero.
Procuro uma bela garota, cuja beleza vá além de seu corpo e também possa ser vista através de seu coração. Que seja serena, firme e justa ao mesmo tempo, sem ser apática para me tranquilizar e auxiliar. Que finja não notar meu nervosismo e aparvalhamento constante. Que me faça sentir sempre a vontade, seguro e tranquilo ao mesmo tempo, sem medo de errar ou fracassar. Que não me faça grandes cobranças tampouco seja arbitrária. Que me corrija harmoniosamente quando julgar que eu esteja errado. Que me faça esquecer de minha imutável e longa solidão atual.
Que tenha belos lábios que eu possa beijar e escutar palavras doces. Que me ensine a te abraçar devidamente. Que me deixe enlaçá-la com meus braços e me perder no doce cheiro dos seus cabelos. Que não me julgue nem tente me forçar a mudar a minha maneira de ser. Que não ligue de eu não demonstrar muito o que sinto ou não me expressar muito. Por mais detestável que eu possa ser. Mas por você eu digo que por iniciativa própria, com certeza mudaria tudo. Só pra te ver feliz. Nos deixar feliz.
Alguém que não me use e me jogue fora depois. Que me faça sentir vivo, deixando o tempo passar em nossos dias juntos. Que me deixe tocar a sua mão por quanto tempo eu quiser. Que me faça sentir nervoso e contente a cada encontro. Que com um simples sorriso me faça sentir revigorado para mais um longo dia tedioso.
Uma mãe, amiga e companheira que eu sempre possa contar em todos os momentos. Que me guie quando necessário por conta da minha timidez. Que diferente dos demais não me renegue ao menosprezo. Que acredite que podemos realizar nossos sonhos. Que jamais diga que aquilo que acredito é uma total perda de tempo. Que me lembre que eu existo, estou vivo tenho meu valor e necessidade de amar. Um amor eterno, imutável e duradouro, todo dedicado a nós dois.
Que seja maravilhosa, até mesmo capaz de nos influenciar com sua doce maneira de ser. Uma pessoa que no fundo do coração, todos gostariam ser. Não de uma maneira invejosa, pelo contrário, de admiração pelo seu eu contagiante. Tão irradiante quanto o sol. Repleta de admiradores, amigos e amigas; mas que eu apenas seja o seu eleito. O homem mais feliz da face da terra.
Se você existe, aguardo uma mensagem sua. Cá estarei eu lhe esperando.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Lições De Pornografia

Os filmes pornôs são muito gozados. Literalmente. Mas não é só nesse sentido; há muita graça, muita comicidade nessas películas de sacanagem. Quando você descobre isso um novo mundo se abre diante de seus olhos ou mãos sei lá...
Passei várias noites apreciando essa forma nobre de entretenimento lá quando eu estava na faixa dos treze ou quatorze anos. Tempos de ínicio de puberdade. Na verdade já tinha visto pela primeira vez sacanagem na televisão quando tinha dez anos. Pirralho na época nem entendia o que estava rolando. Na cena a câmera dava um zoom no fiofó da moça e era tudo rosado; pensei que era tipo alguma cirurgia médica. Mas lógico que estava enganado... Logo surgiu um carinha energizado lambendo aquilo lá e saquei o que estava acontecendo de fato. Pior foi o trauma que o “grand finale” me deu; desconhecia a ejaculação e pensei “Que bizarro, esse cara dá leite!”. Ainda bem que nunca tive a curiosidade de provar se tinha gosto de leite...
Fui sacar as coisas um tempinho depois. De fato, meu doutorado em sacanalogia foi lá pelos treze mesmo. Engraçado como está foi a época mais criativa da minha vida, tome nota; se masturbar deve fazer bem ao cérebro. A sequela é que essa criatividade só serve pra formular babaquices como textos que nem esse. Eu fazia isso umas duas ou três vezes por dia então minha teoria é que o sangue passou da cabeça de cima pra de baixo. Interessante não?
Hoje em dia nem vejo esses filmes. Enjoei de um tempo pra cá a ficar vendo mulheres gostosas que nunca vou comer, serem dominadas pelos bombadões. Além do mais agora os filmes não me dão tesão e sim vontade de rir como disse no começo. Deve ser porque quando você vai ficando mais velho se torna mais crítico, a ponto de observar detalhes nas mínimas coisa. Como as atrizes gemendo horrores de boca fechada e os roteiros e diálogos ridículos. Os roteiros, a fonte da graça de tudo isso. Porque se for pra levar a sério a melhor profissão desse mundo é limpador de piscina que sempre come a gostosinha bronzeada que toma sol sem biquíni e faz questão de ser comida imediatamente. Esses caras sim, sempre têm um final feliz. Viva a essa categoria. Invejo vocês...